domingo, 5 de abril de 2015

A PÁSCOA NOS TEMPOS DE JESUS



A origem da festa da páscoa acha-se profundamente ligada à História do povo de Israel. Esta festa está presente em todo o período do Antigo Testamento, estendeu-se à era cristã e veio a constituir as bases do culto na igreja primitiva. A páscoa entre os judeus era comemorada no dia 14 do mês nisã[1], e a sua importância histórica se encontra no livro do Êxodo, pelo qual Deus através do seu ato redentor, fez de Israel o seu povo escolhido. Deus ordenou que os israelitas passassem sangue nos umbrais das portas para que não sofressem a praga da matança dos primogênitos (Ex. 12.7). Fora isso, dera ordenanças de como deveriam consumir o carneiro e o cabrito que deveriam ser consumidos naquela noite. E perto da meia-noite, Deus passou por todo o Egito e matou todos os primogênitos do sexo masculino, de homens e animais, porém, não entrou nas casas cujas portas estavam marcadas com sangue, e nelas ninguém morreu. Após este episódio, os israelitas passaram a observar esta festa, o principal marco de sua libertação e da proteção divina.


Com o passar dos anos, o modo de comemoração da páscoa sofreu diversas modificações. As instruções para a celebração da primeira páscoa, encontrada em Êxodo 12, constituem o plano original dado por Deus a eles. O animal a ser morto deveria ser um cordeiro de um ano, macho e deveria ser imolado ao entardecer. Deveriam assá-lo sobre o fogo por inteiro, ou seja, com a cabeça, as pernas e a fressura intactas, sem quebrar-lhe os ossos. Teriam de comê-lo à noite, acompanhado de pão sem fermento e ervas amargas, e o que sobrasse deveria ser queimado ao amanhecer. No entanto, com as mudanças sociais ocorridas com a passagem do tempo a festa da páscoa passou por modificações e no tempo de Cristo estas alterações já estavam totalmente solidificadas.
Nos tempos de Cristo durante à época da páscoa, o povo tinha que se deslocar para Jerusalém que se transformava em um centro comercial bastante agitado e que durante o período da festa recebia um grande número de peregrinos.E esse fluxo enorme de pessoas ocasionava sérios transtornos para a cidade, bem como para os forasteiros. E o resultado disso era que a cidade se transformava em um centro comercial ainda mais agitado.
Os mercados ficavam abarrotados de grandes suprimentos de verduras e condimentos, como alface e pimenta por exemplo. Também eram necessários grandes carregamentos de frutas e vinho. Esperava-se um altíssimo consumo de vinho, já que na celebração da Páscoa cada adulto bebia o equivalente a quatro copos. Além disso, na época da festa, era consumida grande parte das azeitonas, uvas e cereais produzidos nas plantações próximas [2].
A cidade tinha também que fornecer um elevado número de animais para o abate, que serviriam não só para alimentar a multidão como também para os holocaustos. Não se sabe ao certo o número de animais abatidos, porém sabe-se que era um número bastante elevado.
A ida do povo à Jerusalém foi uma das mudanças incorporadas à Páscoa. Desde aproximadamente 600 anos antes de Cristo, já era costume imolar o cordeiro pascalem Jerusalém. Porcausa disso, a festa transformou-se de um evento familiar em uma grande romaria ocasionando problemas de acomodação, pois as hospedarias eram muito poucas e por causa disso muitos dos habitantes de Jerusalém abriam suas casas para receber parentes e amigos, e até desconhecidos. Além disso, os campos nos arredores ficavam cheios de barracas. Esperava-se que todos os israelitas aptos fossem comemorar a Páscoa em Jerusalém exceto as crianças, os idosos e os deficientes físicos que não eram obrigados a ir de acordo com a Lei de Moisés [3].
A liturgia da Páscoa nos tempos de Cristo incluía uma doxologia[4], vários cálices de vinho que eram distribuídos entre os comensais, a recitação da História do Êxodo pelo hospedeiro, a ingestão do cordeiro assado, junto com o pão sem fermento e ervas amargosas, tudo concluído com o cântico de salmos. Durante o resto da semana, os fiéis podiam se entregar a alegres comemorações e compravam o que houvesse em comida e bebida e o consumiam com grande satisfação. Havia também um comércio satisfatório de perfumes, tecidos belíssimos e linho branco, que as mulheres podiam adquirir à vontade. É provável que este espírito de comércio tenha sido influenciado em parte pelos gregos e romanos. [5]
Em vista aos fatos mencionados acima, podemos concluir que, a Páscoa é uma festa sagrada que se manteve viva no decorrer dos séculos. Mesmo com as constantes transformações sociais e culturais ocorridas na nação israelita ao longo dos séculos e o fato da festa ter se transformado em um grande comércio na época de Cristo, não serviram de empecilho para que a primeira e principal festa dos judeus continuasse sendo lembrada e praticada de forma sincera como um memorial da libertação de Deus para o seu povo de Israel da escravidão dos egípcios.
 Notas:
 [1] Primeiro mês do calendário judaico, correspondendo no nosso calendário a um período entre os meses de março e abril.
 [2] Coleman, William L. Manual dos tempos e costumes bíblicos. Tradução: Myrian Talitha Lins. Venda Nova, MG: Editora Betânia. 1ª Edição, 1991 p. 265.
 [3] Lei descrita nos livros bíblicos de Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
 [4] Fórmula de louvor e glorificação presente no Antigo Testamento aplicada a heróis e heroínas e principalmente a Deus.
 [5] Coleman, William L. Manual dos tempos e costumes bíblicos. Tradução: Myrian Talitha Lins. Venda Nova, MG: Editora Betânia. 1ª Edição, 1991 p. 266.
 Referências Bibliográficas:
 Coleman, William L. Manual dos tempos e costumes bíblicos. Tradução: Myrian Talitha Lins. Venda Nova, MG: Editora Betânia. 1ª Edição, 1991.
Gundry, Robert H. Panorama do Novo Testamento. Tradução: João Marques Bentes. São Paulo: Editora Vida Nova. Reimpressão 2007.
 [1] Francisco de Assis Rodrigues da Silva de Oliveira é pesquisador e teólogo, e foi meu colega na faculdade de Teologia.

ELE RESSUSCITOU AO TERCEIRO DIA



Como Jesus ressuscitou ao terceiro dia se Ele morreu na sexta e ressuscitou no domingo?

Para responder essa questão, precisamos compreender os diferentes costumes dos povos judaico e romano na forma de marcar as horas do dia e da noite. Os dias dos romanos iniciavam à meia-noite e terminavam na outra meia-noite (de zero hora a zero hora). Para os judeus, cada novo dia iniciava às 18h e terminava no dia seguinte, às 18h. O período entre o nascer e o pôr-do-sol era dividido da primeira até a duodécima hora (Jo 11.9), sendo que as horas terceira, sexta e nona eram importantes por causa dos sacrifícios no Templo. As noites eram divididas em vigílias de três horas cada uma. Os romanos as dividiam em vigílias de quatro horas.

"Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra", Mt 12.40. Ao pé da letra, isso indicaria que o Senhor ficou 72 horas no sepulcro. Porém, Jesus foi crucificado na sexta-feira à hora terceira (9h da manhã) e morreu à hora nona (3h da tarde - 15h), sendo sepultado por José de Arimatéia e Nicodemos horas antes do início daquele sábado (que teria início às 18h).

O profeta Jonas não teria como contar os dias que ficou dentro do grande peixe, pois ele deve ter perdido a noção do tempo. Esse dado pode ter sido investigado sem a participação direta dele. Entretanto, no caso de Jesus, podemos facilmente concluir que Ele passou pouco mais de 36 horas no sepulcro: as últimas horas de sexta, o sábado completo e parte do domingo.

Devemos, portanto, estudar a declaração de Cristo em paralelo com Josué 2.16, onde a parte de um dia é declarada como sendo o todo. logo, os três dias e noites no sepulcro não abrangem dias completos, mas, sim, dias cronológicos. Portanto, a expressão de Jesus poderia ser simplificada assim: "Depois de amanhã ressuscitarei". Sim, porque, lembremos, Jesus não ressuscitou depois de três dias, mas "ao terceiro dia".


Referência Bibliográfica:


Revista Resposta Fiel, ano 6, nº 22, DEZ - JAN- FEV/ 2007, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, Rio de Janeiro, RJ.


Creio no Filho: Os Sofrimentos de Cristo #páscoafiel


O Credo Apostólico referindo-se aos sofrimentos de Jesus Cristo, diz: “Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado…”. Esta confissão feita historicamente pela Igreja até os nossos dias, é ampla e fortemente embasada nas Escrituras Sagradas. A sua fundamentação bíblica, no entanto, não impediu que homens e sistemas teológicos a negassem de forma direta ou indireta, ora afirmando a impossibilidade de Deus sofrer; logo, Jesus Cristo não é Deus, ora afirmando que os fatos narrados nos Evangelhos não são de fato como ocorreram; as descrições, dizem, estariam mais próximas da fé dos evangelistas do que da realidade…
Para nós, entretanto, conforme já estudamos, a Bíblia é o registro fiel, inerrante e infalível da Palavra de Deus, sendo a nossa fé gerada e amparada pelo Espírito através da Palavra (Rm 10.17; Ef 2.8).
Estudemos agora, o que a Bíblia nos ensina a respeito dos sofrimentos de Cristo, nosso Senhor.

AS CAUSAS DO SOFRIMENTO DE CRISTO:

O PECADO HUMANO:

O pecado de nossos primeiros pais bem como o de toda a humanidade, visto que todos pecaram (Rm 3.23; 5.12), trouxe sobre toda a natureza um estado de maldição e juízo (Gn 3.17-19; Rm 8.20-23); tendo agora, o homem que arcar com as conseqüências de sua escolha, estando irremediavelmente perdido, já que nele estava o símbolo da total impossibilidade de agradar a Deus, reconciliando-se com ele. Agora ele tornou-se escravo do pecado, tendo a sua vontade governada por este tirano (Jo 8.34).
A impossibilidade do homem realça a possibilidade de Deus; o possível para o homem o é por Deus; contudo, é na impossibilidade do homem que muitas vezes ele se lembra do Deus Todo-Poderoso. O pecado do homem, permitido por Deus, pôs em andamento a execução histórica do Plano eterno e sábio de Deus, para salvar o seu povo escolhido desde à eternidade. Sem o pecado não seria necessário o sacrifício de Cristo e, por outro lado, o pecado não obriga Deus a enviar o seu Filho para morrer pelo seu povo; Deus não é obrigado a nos salvar; ele o faz por sua graça. Com isso, não chegamos ao ponto de afirma que “Deus seja a vítima do mal”,[1] mas que as conseqüências do pecado foram levadas voluntariamente por Cristo na cruz, a fim de conduzir o seu povo de forma definitiva a vencer o mal.

A JUSTIÇA E O AMOR RECONCILIADOR DE DEUS:

Deus não é obrigado a salvar pessoa alguma; todavia ele o faz! Somos todos igualmente devedores à graça de Deus.
Deus sempre age em harmonia com o seu ser. O homem é pecador e, por isso, precisa ser punido pelo seu ato de rebelião contra Deus; a disciplina faz parte da execução da justiça eterna de Deus. Por outro lado, Deus em seu amor eterno, infinito e causado em si mesmo – visto que não há nada em nós que mereça ou mesmo desperte o amor de Deus –, deseja salvá-lo (Jr 31.3; Ef 1.3-14). A justiça de Deus é santa e o seu amor é real; a graça de Deus não é barata; ela tem sempre um alto preço para Deus. A graça é a própria fonte do Evangelho; sem a graça de Deus não haveria boas novas de salvação; todos nós herdaríamos as conseqüências eternas dos nossos pecados. Todavia, a graça reina e Jesus Cristo é a personificação da graça; ele encarna a graça e a verdade (Jo 1.17; 14.6). Ele é a causa, o conteúdo e a manifestação da graça de Deus; falar de Cristo é falar da graça. Deste modo, Deus tornou-se um de nós (Jo 1.14; Gl 4.4,5), a fim de resgatar-nos do poder e maldição do pecado. “Deus, que é justo, pode perdoar pecado porque ele já puniu o pecado na Pessoa de seu unigênito Filho. (…) Deus proclama sua eterna justiça e ainda pode perdoar os pecados daqueles que crêem em Jesus – eis uma terribilíssima, uma profundíssima declaração.”[2]
Os sacrifícios do Antigo Testamento denotam a iniciativa do Deus Justo e Amoroso que providencia a reconciliação de seu povo pecador[3] – porém igualmente amado e eleito –, consigo mesmo, encontrando este processo, a sua plenitude e ápice em Jesus Cristo: O Verbo encarnado. “Em resumo ‘tudo é de Deus’: o desejo de perdoar e reconciliar, os meios indicados, a provisão da vítima vindo do seu próprio seio, mediante preço infinito. Tudo acontece dentro da própria vida de Deus: pois se tomamos a Cristologia do Novo Testamento, temos de afirmar que ‘Deus estava em Cristo’ neste grande sacrifício expiatório, e que o Sacerdote e a Vítima eram o mesmo Deus”.[4]
Devemos, portanto, enfatizar que mesmo no Antigo Testamento, os patriarcas, os profetas e o povo em geral foram perdoados, não porque ofereceram sacrifícios, mas sim, pela fé no Cristo que viria. A obra de Cristo envolve todos os crentes: todos os fiéis do passado, presente e futuro.[5] “A única maneira de alguém ser perdoado, antes de Cristo, depois de Cristo e em qualquer ocasião, é através de Cristo, e este crucificado”.[6] A obra de Cristo envolve todo o seu povo, ninguém ficará de fora nem jamais houve ou haverá redenção fora do sacrifício único e vicário de Cristo: a obra de Cristo é completa e suficiente “…. Em cada época, desde o princípio, houve pecados que necessitavam de expiação. Portanto, a menos que o sacrifício de Cristo fosse eficaz, nenhum dos [antigos] pais haveria obtido a salvação. Visto que se achavam sujeitos à ira divina, qualquer remédio para livrá-los teria resultado em nada, se Cristo, ao sofrer uma vez por todas, não sofresse o suficiente para reconciliar os homens com a graça de Deus, desde o princípio do mundo e até ao fim. A não ser que desejemos muitas mortes, contentemo-nos com um só sacrifício. (…) Não está no poder do homem inventar sacrifícios como lhe apraz. Eis aqui uma verdade expressa pelo Espírito Santo, a saber: que os pecados não são expiados por um sacrifício, a menos que haja derramamento de sangue. Por conseguinte, a idéia de que Cristo é sacrificado muitas vezes não passa de uma invenção diabólica”.[7]
Paulo nos diz que o triunfo de Cristo em nos perdoar, concedendo-nos vida, foi manifesto na cruz do Calvário: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões, e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.13-15).
É importante observar que a Bíblia não faz distinção entre o amor de Deus Pai, do Deus Filho e do Deus Espírito Santo; o sacrifício do Filho revela o amor do Trino Deus: o Pai não passou a nos amar porque o seu Filho morreu por nós; antes, o Filho morreu por nós porque o Trino Deus eternamente nos amou e confiou-nos ao Filho (Jo 3.16; 10.22-30; 15.16; 17.6-26; Rm 5.8; 1Jo 4.9). O Filho reconciliou-nos com o Pai e com o nosso próximo através da cruz (Ef 2.11-22; Cl 1.19-20). “Nenhum estudo da expiação pode ser devidamente desenvolvido sem reconhecer em primeiro lugar o livre e soberano amor de Deus (…) Este amor é a causa ou a fonte da expiação.”[8]

A VOLUNTARIEDADE DO FILHO:

A vinda de Jesus Cristo e todos os seus atos foram norteados pela sua obediência ao Pai e pela consciência de que era necessário assim fazê-lo, tendo sempre como meta, glorificar a Deus e salvar o seu povo (Jo 4.34; 5.30; 6.38,39; 10.10-18; 17.1-8).
Desta forma, a obra de Cristo foi feita com espírito voluntário; ele assumiu o nosso lugar morrendo sob o estigma da maldição, resgatando-nos da decorrente condenação, por sua livre graça (Gl 3.13,14). Assim, o que era impossível ao homem – ter acesso a Deus e expiar o seu próprio pecado –, Jesus realizou perfeita e vicariamente! (1Pe 3.18; Hb 7.26-28; 9.23-28; 10.10-18). “Na cruz, a vontade do Pai e a vontade do Filho estavam em perfeita harmonia. Jamais devemos supor que o Filho se ofereceu para fazer alguma coisa contra a vontade do Pai, ou que o Pai exigiu do Filho alguma coisa contra a própria vontade deste”.9 “A morte de Jesus pelo pecado foi um ato de auto-sacrifício e segundo a vontade de Deus Pai”.10Voltaremos a este assunto em outro tópico.

[1] Cf. Millard J. Erickson, Introdução à Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 190-191.
[2] D.M. Lloyd-Jones, Deus o Pai, Deus o Filho, p. 420.
[3] “O objetivo dos sacrifícios era que Deus olhasse para o povo pecador de uma maneira benigna, de uma maneira que revelasse prontidão em recebê-lo.” [D.M. Lloyd-Jones, Deus o Pai, Deus o Filho, p. 406].
[4] Donald M. Baillie, Deus Estava em Cristo, São Paulo: ASTE., 1964, p. 215.
[5] “Quando o Filho de Deus sofreu e morreu, Ele assim expiou os pecados de todos os que o aceitaram ou iriam aceitá-lo por meio de uma fé viva, ou seja, por todos os crentes de ambas as dispensações. Os méritos da cruz extendem-se tanto para trás como para adiante” [W. Hendriksen, Romanos, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, (Rm 3.25-26), p. 178].
[6] D. Martyn Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte, São Paulo: FIEL., 1984, p. 359. “Ninguém pode dizer, nem por um momento, que pessoas como Davi, Abraão, Isaque e Jacó não foram perdoadas. Mas não o foram por causa daqueles sacrifícios que ofereceram. Eles foram perdoados porque olhavam para Cristo. Não percebiam isso claramente, mas criam no ensinamento e faziam essas ofertas pela fé. Criam na Palavra de Deus, que Ele um dia no porvir, proveria um sacrifício, e pela fé se mantiveram firmes nisso. Foi a fé em Cristo que os salvou, exatamente como é a fé em Cristo que salva agora” (D.M. Lloyd-Jones, A Cruz: A Justificação de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, (s.d.), p. 9-10).
[7] João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 9.26), p. 245-246. “A razão pela qual Deus ordenara que se oferecessem vítimas como expressão de ações de graça foi, como é bem notório, para ensinar ao povo que seus louvores eram contaminados pelo pecado, e que necessitavam de ser santificados exteriormente. Por mais que proponhamos a nós mesmos louvar o nome de Deus, outra coisa não fazemos senão profaná-lo com nossos lábios impuros, não houvera Cristo se oferecido em sacrifício com o propósito de santificar a nós e às nossas atividades sagradas [Hb 10.7]. É através dele, como aprendemos do apóstolo, que nossos louvores são aceitos” [João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Edições Parakletos, 1999, Vol. 2, (Sl 66.15), p. 631].
[8] John Murray, Redenção: Consumada e Aplicada, São Paulo: Cultura Cristã, 1993, p. 11, 13.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A Função e o Dom Pastoral

A função e o dom pastoral

*Discurso apresentado na ocasião da formatura da Turma 2012 de Bacharel em Teologia da Faculdade Teológica Batista de São Paulo

A função e o dom pastoral

UFA! Depois de quatro curtos anos, terminamos o início de nossa jornada teológica. Sim, a maioria de nós achou que quatro anos demorariam uma eternidade; mas não foi isso que aconteceu, não é mesmo?
Entramos achando que sabíamos muita coisa, e saímos com a certeza de que há muito a se aprender ainda. Neste tempo na Faculdade Teológica Batista de São Paulo deram-nos um GPS teológico e nos ensinaram a mexer nele. Aprendemos alguns comandos, aprendemos algumas rotas; mas, a partir de agora, caberá a cada um de nós, com a ajuda de Deus, descobrir outros recursos para traçar nosso caminho.
Ao longo desses quatro anos todos nós enfrentamos problemas financeiros, logísticos e familiares e até mesmo espirituais; grande foi a nossa luta. Sem contar o tempo escasso para fazer todos os trabalhos de todos os professores, cuidar da nossa família, desenvolver nosso ministério e ainda por cima trabalhar o dia todo. Porém, a despeito de todos estes desafios o maior deles certamente foi ter nossa fé confrontada e nossa espiritualidade testada. Tivemos que fazer escolhas que nos acompanharão pelo resto de nossas vidas.
Nossa turma certamente era diferenciada, e já pudemos sentir o clima logo no primeiro semestre, quando levamos uma bronca federal do diretor por termos acabado com a tinta da impressora dele, quando precisou imprimir alguns e-mails que trocamos sobre a participação de grupos de outras denominações em nossas igrejas. Em meio aos debates acalorados nossa amizade se fortalecia, e fomos descobrindo que podemos conviver com as diferenças de opiniões sem que isso influenciasse os nossos relacionamentos.
Nossa turma tinha alunos comediantes, sérios, compenetrados, dorminhocos, alunos que perguntavam as coisas e se desviavam do assunto, alunos que saiam da sala quando não concordavam com alguma coisa; alunos que ficavam bravos com os professores que seguravam a turma até às 22h46min. Havia alunos modernos, pós-modernos e até mesmo pré-modernos. Aprendemos muito uns com os outros.
Com alguns pudemos dividir nossas angústias, medos e temores. Aprendemos com alguns professores a interceder uns pelos outros. Dividimos também as alegrias e bênçãos. Quantos não perderam seus empregos e oramos? Quantos não estavam com problemas em suas famílias e receberam conforto e consolo? [trecho omitido por apresentar características pessoais da turma]
Certamente ganhamos amigos e irmãos para a vida toda. Espero sinceramente não ter que chama-los de “nobre colega” quando for visita-los em suas igrejas ou em algum evento comum; mas espero chama-los simplesmente de “amigo”. Indubitavelmente precisaremos uns dos outros durante nossa jornada, pois entendo não ser possível cumprir o ministério se não houver camaradagem e companheirismo enquanto carregamos a carga uns dos outros. Não precisamos fazer parte da assombrosa estatística sobre a grande solidão que os pastores e líderes eclesiásticos enfrentam por não terem amigos ou a quem recorrer nos momentos de aflição e desespero.
Uma das cargas mais pesadas que podem pesar sobre nossos ombros é a tentação de querer ter todas as respostas para todas as angústias humanas. Devemos nos lembrar de que não somos gurus, nem temos um acesso diferenciado a Deus, mas fomos chamados para treinar os santos para que cada um desenvolva seu próprio ministério. Experimentar o poder libertador da frase “Não sei” é uma das experiências mais gratificantes, pois nos abre um caminho plano até Deus e ali podemos deixar nossas preocupações e angústias sabendo que é ele quem cuida e dará a provisão necessária.
O “não sei” também nos liberta de sermos indispensáveis. Não faz parte do nosso ministério tornar as pessoas dependentes de nossas opiniões, dependentes de nossas ideias ou dependentes de nossa práxis. É certo que somos formadores de opinião, mas temos de dar asas às pessoas e incentivá-las em seu próprio caminho e ministério. Daremos conta daquilo que ensinarmos e não daquilo que cada um fez com o que foi ensinado.
Outra carga pesada que pode encurvar nossas costas e desviar nossos olhos do verdadeiro alvo é querer ser relevante o tempo todo ou querer o sucesso. Evidentemente Deus não nos chamou para o sucesso, mas para sermos fiéis despenseiros de sua palavra. John Stott ressalta que o despenseiro deve ser digno de confiança e não ser relevante ou famoso.
Nosso chamado não deve ser confundido com a atribuição de um título, pois a nossa função na e para a Igreja não terá valor algum se desconsiderarmos os dons espirituais. E creio que Paulo, em Efésios 4:11, não esteja se referindo a ofícios ou títulos, mas aos dons espirituais de cada membro do corpo de Cristo. E, uma vez que Paulo refere-se a dons e não a títulos ou funções, não creio que devamos ter ou buscar qualquer tipo de primazia na igreja. Devemos estar abertos a recebermos críticas e sugestões como qualquer outro membro de nossa comunidade; e não devemos achar que nossa palavra seja mais inspirada ou infalível do que a dos demais membros.
Conquanto nossa função na igreja tenha algum destaque, nosso dom nos coloca em igual posição a todas as pessoas diante de Cristo. Temos que nos lembrar de que o chamado é para todos os cristãos e não apenas do líder eclesiástico. E não há na Bíblia nenhuma diferenciação entre os dons, pois todos são distribuídos graciosamente por Deus a todos os cristãos. Portanto, nossa tarefa como líderes, é indicar e treinar os cristãos para o exercício dos seus dons a serviço da Igreja do Senhor e da sociedade.
Não nos esqueçamos de que parte da nossa tarefa será o exame constante do grego, do hebraico, dos livros de hermenêutica e exegese, do contexto histórico e teológico; mas tenhamos em mente que deveremos estar atentos aos jornais, à internet, aos questionamentos e inquietações do nosso povo e dar-lhes o consolo e alento que apenas a Palavra viva e penetrante do Senhor pode dar.
Que as ruas e becos sejam a extensão dos nossos púlpitos e nossas comunidades estejam além das paredes para estarem nas casas e nos abrigos. Que a nossa alegria e alvo ministerial não estejam fundamentados nas aquisições da Igreja, nem no aumento do templo, nem no aumento das receitas, nem em nossa carreira eclesiástica e espiritual ou em qualquer outra meta numérica que nos faça perder o verdadeiro alvo: que não é um número ou estatística, mas é o caráter de Cristo formado em cada cristão que cumpre seu chamado e exerce o seu ministério, para a glória do Senhor Jesus.
Que Deus nos ajude e nos capacite a sermos irrepreensíveis, firmes e constantes em nosso chamado para o treinamento e capacitação do chamado de todos os cristãos.



Perguntas e Respostas sobre Vida Cristã

pergunta-biblica

PERGUNTA: UM CRENTE FIEL NÃO PODE ADOECER?
RESPOSTA: “O propósito de Deus para cada crente é que viva completamente livre de enfermidade ou dores. Fica a seu critério se quer viver assim ou não. Assim é que quando o crente se mantém sofrendo com dores físicas, não tem ninguém a culpar senão a si mesmo; e “todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças” e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções” (Pieratt, p. 135).
RESPOSTA APOLOGÉTICA: “No mundo tereis aflições” (Jo. 16.33). Paulo viveu doente como lemos em Gálatas 4.13 “E vós sabeis que primeiro vos anunciei o evangelho estando em fraqueza da carne”. ICoríntios 4.11 “Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa”. Seus companheiros adoeceram: Filipenses 2.25-27 “Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades. Porquanto tinha muitas saudades de vós todos, e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. E de fato esteve doente, e quase à morte: mas Deus se apiedou dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza”. ITimóteo 5.23 “Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades”. IITimóteo 4.20 “Erasto ficou em Corinto, e deixei Trófimo doente em Mileto.

PERGUNTA: SER POBRE É UMA MALDIÇÃO?
RESPOSTA: “Pobreza é uma maldição e não uma bênção. Nenhuma pessoa normal deseja que o seu filho seja pobre e miserável”.
RESPOSTA APOLOGÉTICA: Assim como a riqueza nem sempre é uma bênção, como lemos em Mateus 19.23“Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus”, pobreza não é maldição. Marcos 14.7 “Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes”. Segundo as Escrituras, os que desejam ser ricos caem em tentação, laço e muitas concupiscências: ITimóteo 6.7-10 “Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”. Tiago 2.5“Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?”

PERGUNTA: PODERIA INDICAR ALGUMAS SUPERSTIÇÕES CAMUFLADAS?
RESPOSTA: “A ROSA UNGIDA. As pétalas dessa rosa servirão para unir o casal. As pétalas desta rosa serão luz para iluminar seus passos. As pétalas desta rosa serão pontos de contato espiritual para libertação de vícios e macumbarias As pétalas desta rosa trarão prosperidade para os seus negócios. ESTA ROSA DENTRO DA SUA CASA SERÁ A PRESENÇA DE JESUS NO SEIO DE SUA FAMÍLIA”.
RESPOSTA APOLOGÉTICA: Há igrejas que ensinam que a fé precisa ser despertada através do uso de um toque físico, algo que venha a produzir ou despertar a fé. No entanto, a Bíblia define fé nos seguintes termos: Hebreus 11.1 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. Se a fé é a prova das coisas que não se vêem, ao usar um objeto visível para despertar a fé, na verdade, está se fazendo uso de superstição, que é a transferência da fé em Deus, que não se vê, para um objeto que se vê: Hebreus 11.6 “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”. A fé é transferida de Deus para um objeto que se vê, como essa rosa, que é ungida para abençoar a casa e seus familiares. Essa prática é conhecida nas crenças populares como amuletos ou talismãs.
“SAL UNGIDO. Um dia muito sofrida/ Estava passando mal/ Cheguei já quase sem vida/ Na Igreja universal. Recebi uma oração/ Que expulsou todo o mal/ Ao terminar a reunião./Ganhei um saquinho de sal. O sal que foi consagrado/ E cheio de poder./ Para que quando fosse usado/ Todo o vício combater. Coloquei-o na comida/ E logo após o jantar/ Eu acendi um cigarro/ Mas não consegui fumar. No Despertar da Fé, março1983. Poema”.
RESPOSTA APOLOGÉTICA: Jesus ensinou que conhecê-lo seria conhecer a verdade e em seguida a libertação dos vícios. João 8.31-32 “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

PERGUNTA: EXISTE REDENÇÃO NO INFERNO?
RESPOSTA APOLOGÉTICA: Não. Jesus concluiu a obra da redenção na cruz e não no inferno.
João 18.30 “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito”.
Colossenses 2.14-16 “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”.
IPedro 2.24 “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados”.
Ademais, nossa redenção não foi paga ao Diabo, mas a Deus: Efésios 5:2 “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave”. O Diabo vai ser lançado no inferno mas não está no inferno. Apocalipse 20.10 “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”. Hoje ele povoa os ares com os demônios e precisamos estar com todas as armaduras de Deus para vencê-los. Efésios 6.12 “Porque não temos que lutar contra a came e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

PERGUNTA: É CORRETA A AFIRMAÇÃO ‘TODAS AS RELIGIÕES SÃO BOAS E NÃO FAZ DIFERENÇA PERTENCER A QUALQUER UMA DELAS’?
RESPOSTA APOLOGÉTICA: Jesus, quando esteve entre os homens na terra, não disse que todas as religiões são boas. Pelo contrário, disse que há duas portas e dois caminhos que levam a fins opostos (Mt. 7.13-14). Muitas coisas feitas em nome da religião não são aprovadas por Deus: prostituição sagrada, poligamia, invocações de mortos, idolatria, feitiçarias, proibições de vacinas, de transplantes de órgãos e transfusão de sangue, além de sacrifícios de crianças a demônios que ocasionam mortes em nome de Deus.
João 16.1-2 “Tenho vos dito estas coisas para que vos não escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas: vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus”. ICoríntios 10.19-20 “Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Todos esses caminhos conduzem à morte. Somos resgatados pelo sangue de Jesus derramado no Calvário”.
IPedro 1.18-19 “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado”.

PERGUNTA: É POSSÍVEL O HOMEM SE DEIFICAR?
RESPOSTA APOLOGÉTICA: Não Todas as doutrinas que divinizam o ser humano repetem, de alguma forma, a mentira de Satanás registrada em Gênesis 3.5 “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal”. Sabemos que ao invés de se tornarem como Deus, Adão e Eva caíram em pecado e foram expulsos do Jardim do Éden:
Gênesis 3.17-19 “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás”.
Jesus ensinou em Marcos 12.29 “E Jesus respondeu-Ihe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o SENHOR nosso DEUS é o único Senhor”.

PERGUNTA: SATANÁS CARREGA NOSSOS PECADOS?
RESPOSTA APOLOGÉTICA: – Não. Afinal, de quem estava profetizando Isaías quando, em 53.4-12 do seu livro, fala de alguém que carregou nossas iniquidades? “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.
Isaías 53.11 “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si“. Isaías não falava de Jesus? Ou profetizava sobre Satanás? E o apóstolo Pedro falou de quem, quando escreveu:
IPedro 2.24 “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados”.

PERGUNTA: PODERIA COMENTAR UMA FRASE DO LIVRO CHUVAS DE NECTARIAS – DOUTRINAS KANRO NO HOOU, DA SEITA ORIENTAL SEICHO-NO-IÊ, QUE DIZ “JÁ NÃO EXISTE ‘HOMEM PECADOR’. ‘ISSO É MENTIRA!” (p.12)?
RESPOSTA APOLOGÉTICA: Em IJoão 1.8 lemos “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”. 1João 1.10 diz “Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. Diz mais a Bíblia, que os homens tornam-se filhos de Deus quando aceitam Jesus como seu Salvador pessoal João 1.12 “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”.
IJoão 3.1-2 “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não conhece a ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”.
IJoão 3.8 “Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou”.

PERGUNTA: QUAL A SEITA QUE ENSINA A DOUTRINA DO “SONO DA ALMA”? ESSA DOUTRINA É BÍBLICA?
RESPOSTA APOLOGÉTICA: Os Adventistas do Sétimo Dia ensinam que a morte física é um sono que acontece entre a morte e a ressurreição do corpo, durante o qual a alma dorme inconsciente na sepultura. Mas a Bíblia diz que o corpo dorme na sepultura não a alma, que se separa do corpo. Mateus 27.52 “E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados”. O ensino bíblico sobre o estado intermediário entre a morte física e a ressurreição é de consciência da alma. Os salvos, em plena consciência, usufruem do descanso Lucas 16.22 “E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão”. Lucas 23.42-43“E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”. IICoríntios 5.6-8 “Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor, mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor”. Os ímpios por outro lado, estão em tormentos no Hades ou inferno: Lucas 16.22-26 “…e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.

Desenvolvimento Histórico do Cristianismo

Todo cristão deve buscar na História da Igreja as origens para a defesa de sua fé, já que o Cristianismo é uma religião histórica e apela para os fatos da história como argumento comprobatório de sua veracidade. A apologia – um dos ramos da teologia – divide-se em várias categorias, e uma delas é a apologia histórica donde se extrai as evidências para provar a singularidade empírica da religião cristã. É de suma importância o cristão conhecer a História de sua religião: os primórdios, as glórias e vicissitudes pela qual passou. Sem um conhecimento básico dessa história muitas doutrinas seriam de difícil compreensão.
A Igreja é muito mais que uma instituição religiosa organizada, é a história de um povo salvo através do sacrifício de um Deus de amor e sua missão. É a prova viva da ação Divina na história da humanidade – Deus se manifesta e intervém no espaço-tempo em prol do seu povo peregrino e escolhido.
A Igreja foi forjada pelo sangue de seu fundador e regada pelo sangue de seus santos. Construiu sua história em meio às terríveis perseguições imperiais e as abomináveis heresias daqueles que diziam ser seus líderes. Entre a corrupção de uns e a glória e ardor de outros, ela prossegue através dos séculos, vitoriosa, pois aquele que disse “as portas do inferno não prevaleceriam contra ela” é o seu sustentador e único alvo a ser almejado.
Esta é a historia da igreja cristã, uma história de lágrimas, sangue, e dedicação à causa de seu fundador – Jesus Cristo. Por isso é de primordial importância o estudo da História da Igreja Cristã, não só para os alunos de teologia, mas para todo cristão que queira conhecer suas origens.

Os Primórdios

Para compreendermos melhor a razão do nascimento de Cristo na época dos césares e a difusão do cristianismo apostólico, teremos de primeiro atentar para o contexto histórico: socio-cultural, político e religioso no período do primeiro século da era cristã.
Muitas foram as contribuições do antigo mundo para a chegada de Cristo e sua doutrina. Ao estudarmos os períodos anteriores à vinda do messias percebemos a providência divina ao preparar o cenário para a chegada de seu plano de salvação. O ambiente histórico em que Cristo surgiu cooperou de modo colossal para a disseminação do evangelho. Dentro desse período três povos merecem destaque pela sua rica contribuição: os Judeus, os Romanos e os Gregos. Daremos resumidamente um perfil destas contribuições.

Os judeus:
 A mentalidade religiosa judaica da espera iminente de um messias, facilitou a aceitação da mensagem de Jesus como o messias prometido. Outro fator importante de contribuição foi o monoteísmo rígido herdado da religião mosaica com sua alta ética moralista baseada na lei de Moisés. Assim o mundo religioso de então estava preparado psicologicamente para chegada de um messias.

Os romanos:
 O império romano dominava o mundo na época em que Cristo nasceu. A extensão do império tendo como conseqüência a unificação dos povos facilitou a difusão da mensagem cristã. Outra contribuição foi proporcionada pela infra-estrutura das estradas e cidades romanas. Com o anexo de novas terras através do desbravamento do exército romano, foi fácil a disseminação do evangelho em terras estrangeiras. O latim e o grego eram línguas universais e facilitava a transmissão das boas novas.

Os gregos:
 Sem dúvida uma das inestimáveis riquezas legadas pelos gregos foi sua língua. Tanto é, que todo o NT foi escrito em grego. Além disso, as idéias de seus famosos filósofos levaram o povo a inquirir sobre os mistérios da vida: sobre o ser, sobre Deus, razão e propósito de nossa existência, etc. O evangelho oferecia respostas sensatas para todas essas questões intrigantes.
Enfim, todas essas contribuições juntas forneceram o ambiente propício para a chegada do Filho de Deus. Uma época impar, predestinada como nem outra em toda a história.

A Grande Comissão uma Missão inacabada


Referência: Mateus 28.18-20
INTRODUÇÃO
1. O método de Cristo é a igreja
A estória: Quando Cristo terminou sua obra, e chegou ao céu, os anjos o receberam com exultante celebração. Um anjo perguntou-lhe: “Senhor, tu consumaste a obra da redenção, mas quem vai contar essa boa nova para o mundo inteiro?” Jesus respondeu: “Eu deixou doze homens preparados para essa tarefa”. Retrucou o anjo: “Mas, Senhor, e se eles falharem?”. Jesus respondeu: “Se eles falharem eu não tenho outro método”.
2. O tempo de agir é agora
Todos os quatro evangelistas deram ênfase à grande comissão. Lucas a repete no livro de Atos.
As últimas palavras de uma pessoa, são as mais importantes e urgentes. Essas foram as últimas palavras de Cristo.
Os campos já estão brancos para a ceifa. O tempo é agora.
3. A grande comissão envolve toda a igreja
O Congresso de Lausane definiu: “O propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo, a toda criatura”.
Você foi alistado para fazer parte dessa maior missão de resgate do mundo: Não do Katrina, não dos acidentes naturais, mas do maior acidente cósmico: a queda. Não de uma tragédia temporária, mas da perdição eterna.
I. A COMPETÊNCIA DO COMISSIONADOR – v. 18
Jesus tem toda autoridade (versão atualizada).
Jesus tem todo poder (versão corrigida).
Exemplo: o caminhão com 30 toneladas e o guarda. O caminhão tem poder, o guarda tem autoridade. Jesus tem poder e autoridade.
Esta declaração mostra que quem dá a ordem tem autoridade e competência para fazê-lo.
Isto tem duas implicações:
a) É condição básica de êxito sabermos que o nosso Deus é o maior – É esta certeza inabalável que nos dará as condições de enfrentar o inimigo e as circunstâncias adversas sem temer e sem vacilar.
b) Qualquer ordem dada pela autoridade máxima do universo exige atenção e respeito total – Ao proferir a ordem Jesus quer ser obedecido de forma clara, completa e urgente.
II. O CERNE DA GRANDE COMISSÃO – v. 19
Todos os verbos estão no gerúndio, mas FAZER DISCÍPULOS é uma ordem.
a) Jesus não mandou fazer fãs – quem precisa de fãs são os artistas.
b) Jesus não mandou fazer admiradores – Atores e jogadores de futebol é que buscam admiradores.
c) Jesus não mandou apenas evangelizar e ganhar almas, abandonando os bebês espirituais – Ele quer discípulos.
d) Jesus não mandou apenas recrutar crentes e encher as igrejas de pessoas – Ele quer convertidos maduros.
Um discípulo é um seguidor. Isso implica: 1) Fazer do Reino de Deus seu tesouro; 2) Renunciar tudo por amor a Jesus; 3) Isso significa guardar as palavras de Jesus.
Hoje temos muita adesão e pouca conversão. Temos grande ajuntamentos e pouco quebrantamento. Temos igrejas cheias de pessoas vazias de Deus e vazias de pessoas cheias de Deus. Temos grandes multidões de buscam as bênçãos, mas não a Deus. São religiosos, mas não discípulos de Cristo.
III. O ALCANCE DA GRANDE COMISSÃO – v. 19
“Fazei discípulos de todas as nações”.
A palavra nações é etnias. Onde houver um povo, com sua língua, cultura, raça, etnia ali o evangelho deve chegar. Ali Deus comprou com o sangue de Cristo aqueles que devem ser chamados e discipulados.
O coração de Deus pulsa pelo mundo todo.
Deus disse a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”.
Apocalipse 5:9 diz que Deus comprou com o sangue do Seu Filho os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação.
A leitura errada de Atos 1:8: Não é primeiro aqui, depois lá. Mas tanto quanto, ou seja, concomitantemente.
IV. AS IMPLICAÇÕES DA GRANDE COMISSÃO
1. Envolve a integração dos novos convertidos – v. 19
A igreja é importante.
Não existe crente isolado, fora do corpo. Não existe ovelha fora do rebanho.
A igreja foi instituída pelo Senhor e os novos crentes devem ser integrados a ela pelo batismo.
2. Envolve ensino aos novos convertidos – v. 19
Há três coisas a destacar:
a) Ensinar o que Jesus mandou (v. 19) – Não se trata de ensinar achiologia, modismos, tradições humanas, legalismo. Paulo diz que devemos anunciar todo o desígnio de Deus.
b) Ensinar todas as coisas (v. 19) – Não apenas as mais agradáveis. Devemos ensinar toda a verdade, toda a Palavra, dar não apenas o leite, mas também o alimento sólido.
c) Ensinar a guardar – Ensinar não é apenas guardar na cabeça, mas obedecer. O discípulo é aquele que obedece. Hoje, as pessoas querem conhecer, mas não querem obedecer. “Vós sois meus discípulos se fazeis o que eu vos mando”.
V. MOTIVOS PARA CUMPRIR A GRANDE COMISSÃO – v. 18-20
1. O poder de Jesus à nossa disposição – v. 18
Se Jesus tem todo poder e autoridade, não sobrou nada para o diabo.
O diabo é astuto, ardiloso, sagaz. Mas Jesus tem todo o poder no céu e na terra.
O poder do diabo foi tirado na cruz (Cl 2:15). Ele foi despojado. Está oco, vazio.
O diabo não tem poder nem no inferno. Apocalipse 1 diz que as chavas da morte e do inferno estão nas mãos de Jesus. As portas do inferno não prevalecem contra a igreja.
Toda a suprema grandeza do seu poder está à nossa disposição (Ef 1:19).
2. A presença de Jesus – v. 20
A presença de Jesus é contínua, em todo lugar. Ele nunca nos desampara, nunca nos deixa. Ele é como sombra à nossa direita. Ele é o vigia que não dormita nem dorme. Não há situação em que sua presença não esteja conosco. Ele está conosco na vida e na morte, no tempo e na eternidade.
3. A ordem de Jesus – v. 19
Se o Rei soberano do universo deu uma ordem, cabe-nos obedecer.
CONCLUSÃO
Você tem feito discípulos? Você tem buscado os perdidos? Você tem sido um ministro da reconciliação? Você tem gerado filhos espirituais? Você ganhado pessoas para Cristo? Uma alma vale mais do que o mundo inteiro.
A lista de Shindler – “Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro”.