quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Os ímpios serão aniquilados ?

Os adventistas dizem que e os pecadores serão exterminados para sempre, e tudo se fará limpo no universo quando acabar a controvérsia entre Cristo e o diabo (EG White; “O Grande Conflito”; Editara Casa Publicadora, 1981, pág. 550). Veja, que seria até poético se isso fosse verdade, mas não é isso o que ensina a Palavra de Deus. É certo que um dia a controvérsia acabará, mas os ímpios não serão exterminados e sim condenados a sofrer eternamente. Eles dizem que esta verdade é horrível e que Deus não procederia assim. Mas com que autoridades mudam a Palavra de Deus? Só porque achamos uma doutrina forte demais aos nossos olhos, isso não nos dá o direito de querer mudá-la. Somos humanos e não temos capacidade para analisarmos o que é certo ou errado para Deus.

Refutação:

Algumas passagens das Escrituras, como por exemplo, II Ts. 1:9, dizem que o ímpio será “destruído” por Deus, sofrendo “a segunda morte” (Ap 20:14) ou indo para a “perdição” (IIPe 3:7). Contudo, em outras passagens o texto fala que os ímpios sofrerão um consciente tormento (por exemplo, Lc 16:22-28). Surge então o questionamento: Os que não forem salvos serão aniquilados, ou terão um consciente sofrimento para sempre?
A palavra “destruição” não significa aniquilação, pois em caso contrário não seria uma destruição “eterna”. A aniquilação se dá num instante, e pronto, terminou. Se alguém sofre uma destruição eterna, então tem de ter uma existência eterna também.
Além disso, a “morte” não significa aniquilação, mas separação. Adão e Eva morreram espiritualmente no momento em que pecaram, contudo eles ainda permaneceram existindo e podiam ouvir a voz de Deus (Gn 2:17; cf. 3:10). De igual modo, antes de alguém ser salvo, ele está “morto em seus delitos e pecados” (Ef 2:1), contudo ainda é a imagem de Deus (Gn 1:27; cf. 9:6; Tg 3:9), e é convidado a crer (At 16:31), a arrepender-se (At 17:30) e a ser salvo.
Assim também, quando é dito que o ímpio vai para a “perdição” (IIPe 3:7) ou quando Judas é chamado de “filho da perdição” (Jo 17:12), isso não significa que eles sejam aniquilados. A palavra “perdição” (apõleia) significa apenas perecer ou ir à ruína. Carros que foram sucateados já pereceram no sentido de terem sido totalmente arruinados, mas ainda são carros, arruinados como estejam, e ainda permanecem no cemitério de veículos. Fazendo um paralelo, Jesus falou do inferno como sendo um cemitério de sucatas ou um campo de lixo, onde o fogo não cessará jamais, e onde o corpo da pessoa ressuscitada não será consumido.
Finalmente, há várias evidências em favor da consciência eterna do perdido:

Primeiro,
 o rico que morreu e foi para o inferno tinha plena consciência de seu tormento (Lc 16:22-28), e não há indicação alguma no texto de que esse tormento um dia iria terminar.

Segundo, 
Jesus falou repetidamente que, para as pessoas no inferno, “haverá choro e ranger de dentes” (Mt 8:12; 22:13; 24:51; 25:30), o que indica que elas estarão lá conscientes.

Terceiro, 
a Bíblia diz que o inferno tem a mesma duração que o céu, ou seja, é “eterno” (Mt 25:41).

Quarto, 
o fato de o castigo ser eterno indica que as pessoas também são eternas. Não se pode sofrer o castigo, a menos que a pessoa exista, para ser punida (IITs 1:9).

Quinto, 
a besta e o falso profeta serão lançados vivos dentro do lago de fogo quando começar o milênio (Ap 19:20), e ainda estarão lá, conscientes e vivos, depois de mil anos (Ap 20:10).

Sexto, 
as Escrituras afirmam que o diabo, a besta e o falso profeta “serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (Ap 20:10). Mas não há como ser atormentado pelos séculos dos séculos sem estar consciente pelos séculos dos séculos.

Sétimo – 
Jesus repetidamente referiu-se ao inferno como um lugar onde o fogo não se apaga (Mc 9:48), onde os próprios corpos dos ímpios nunca morrerão (cf. Lc 12:4-5). Mas não faria sentido algum haver chamas eternas, se os corpos não tivessem alma, que é necessária para a pessoa sofrer o tormento.

Oitavo,
 a mesma palavra usada para o verbo “perecer”, a respeito do ímpio, no AT (abad) é empregada também a respeito da morte do justo (veja Is 57:1; Mq 7:2). A mesma palavra é usada para descrever coisas que simplesmente tenham sido perdidas, mas depois encontradas (Dt 22:3), o que prova que “perdido” no texto em questão não significa deixar de existir. Assim, se “perecer” significasse “sofrer uma aniquilação total”, então o salvo seria aniquilado também. Mas sabemos que isso não acontece.

Nono, 
seria contra a própria natureza dos seres humanos a sua aniquilação, já que eles são feitos à imagem e semelhança de Deus, o qual é eterno (Gn 1:27). Para Deus, aniquilar a sua imagem no homem seria atacar o reflexo dele mesmo.

Décimo,
 a aniquilação seria algo que diminuiria tanto o amor de Deus como a natureza do ser humano como uma criatura moralmente livre. Seria como se Deus dissesse ao homem: “Vou permitir que você ‘seja livre somente se você fizer o que eu digo! Senão, acabarei de uma vez com a sua própria liberdade e com a sua existência!” Seria como um pai que dissesse ao filho que queria que ele se tomasse médico e, quando o filho decidisse ser guarda florestal, o pai o matasse! O sofrimento eterno é um eterno testemunho da liberdade e da dignidade do homem, mesmo daquele que não se arrependeu.
Fonte: Apostila “Como Responder aos Adventistas do Sétimo Dia”, CACP  www.cacp.org.br

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Nasce um Rei


Em Lucas 1.26-33 o evangelista relata: “No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim”.
Cada um dos escritores dos quatro evangelhos colocou uma ênfase especial em seu livro, mesmo que todos eles proclamassem a mesma mensagem:
  • Mateus fala de Cristo, o Rei.
  • Marcos mostra Cristo, o Servo.
  • Lucas apresenta Cristo, o Homem.
  • João anuncia Cristo em Sua divindade.
Por isso, é tão interessante que justamente Lucas, o evangelista, que fala especialmente sobre Cristo, o Homem, se estenda sobre o nascimento do Rei: “ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc 1.33).
O Evangelho do Rei, que é Mateus, menciona claramente que os magos do Oriente procuravam um rei: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo” (Mt 2.1-2).
Porém a menção direta, mais literal, ao Rei cujo reinado jamais teria fim não é encontrada em Mateus, mas justamente em Lucas, tão preocupado em mostrar Jesus como Homem.
Há mais uma passagem em um dos quatro evangelhos onde nosso Senhor é chamado de Rei. Está no Evangelho de João. No contexto da entrada triunfal de nosso Senhor em Jerusalém no Domingo de Ramos, João cita Zacarias 9.9: “Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta”(Jo 12.15). Essa é, sem dúvida, uma clara indicação da honra real que cabe a Jesus Cristo.

Pensamos no Rei ou num bebê indefeso?

Quando você celebra o Natal e rememora o bebê na manjedoura, em quem você pensa? Certamente no Salvador, no Redentor, no Libertador. Aliás, a mensagem dos anjos aos pastores foi: “é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Então, é correto nos alegrarmos pela vinda de nosso Salvador, nosso Redentor, nosso Libertador e pela vinda de nosso Rei quando festejamos o Natal! Quando Ele veio como criança ao mundo em Belém naquela época, nascia um Rei! – um Rei acerca de quem está escrito: “ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc 1.33). Muitas vezes é justamente esse aspecto que se perde no meio de todas as festividades natalinas. Não está errado lembrar do bebê na manjedoura, não é errado adorar o Salvador, mas essa criancinha é Rei, e como Rei Ele merece ser honrado e adorado!
No anúncio dos anjos aos pastores não faltou a reivindicação de que o recém-nascido era Rei. Pelo contrário! Os anjos falaram com todas as letras: “é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Além da afirmação “nasceu, na cidade de Davi, ...o Senhor”, que já alude claramente a domínio e reinado, a palavra “Cristo” igualmente indica honra de rei. O nome Cristo significa “Ungido”. Em Israel, os sacerdotes e reis eram empossados em seus cargos através de uma cerimônia solene de unção com azeite. Por isso, especialmente no início do tempo dos reis de Israel, a expressão “o ungido” era título de rei. O Senhor Jesus carrega esse título e tem direito a essa designação de cargo, o que significa que Ele é Rei e que veio ao mundo como Rei!

Mateus e o Rei

Mesmo quando lemos a história do Natal em Mateus, o Evangelho do Rei, nossos pensamentos facilmente se desviam da realidade de que Ele é soberano. Tomamos conhecimento de que os magos procuravam um rei. Mas esquecemos rapidamente a reivindicação do próprio Jesus de ser rei. Apressamo-nos a ir à estrebaria de Belém para admirar o Salvador. Mas os magos procuravam um Rei! Honraram um Rei! Eles “entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.11). Os pastores procuravam um bebê, seu Salvador, seu Libertador, e os magos procuravam uma criança que era rei – e ambos são parte integrante da história do Natal!
A mensagem de Lucas deveria nos tocar de uma forma totalmente nova e muito profunda. Repetindo: “ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc 1.33). De fato, Ele veio para nós. Ele veio para nós como Salvador. Ele veio para nós como nosso grande Rei! Olhemos essa verdade um pouco mais de perto.

Jesus é realmente nosso Rei?

O texto diz explicitamente: “ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó...” (Lc 1.33). A casa de Jacó é o povo de Israel. Nós, cristãos, temos um comportamento curioso: costumamos tomar como obviamente destinadas a nós muitas coisas que são, em primeiro lugar, destinadas a Israel; a outras não! É lógico que Jesus veio como Rei – em primeiro lugar para Israel, mas Seu reinado tem um significado muito mais profundo do que ser o futuro Rei de Israel. Aliás, Sua reivindicação de ser Rei alcança até o Milênio, quando, no final, entregará o Reino a Seu Deus e Pai. Mesmo assim, Ele também é o seu e o meu Rei – muito pessoalmente. É exatamente a história do Natal que torna impossível dissociar nosso Salvador do nosso Rei.
Na mesma frase em que Lucas fala do Salvador, ele também menciona o Rei: “é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Você consegue separar uma coisa da outra? “O Salvador é para mim, o Rei é para Israel”? Não, obviamente não! Isso é impossível! Ou o Salvador é também seu Rei –, ou seja, Aquele que reina sobre você – ou você não tem Salvador!
O Senhor Jesus tem o direito de reinar sobre nossa vida. Nesse sentido Ele é, de fato, nosso Rei e nosso Senhor. Ele mesmo diz: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo 15.14). É Ele quem manda. Você percebe que nesse versículo encontramos os dois, o Rei e o Salvador? O Salvador diz: “vocês são meus amigos”. O Rei diz: “se fazeis o que eu vos mando”. Aceitar Jesus como Salvador pessoal sempre significa submeter-se à autoridade dEle como nosso Rei. Por essa razão, em Romanos 1.5, quando menciona seu apostolado, Paulo fala acerca da obediência por fé, que gostaria de ver crescer entre todos os gentios. A fé não é apenas um recurso da graça que nos permite chegar até o Salvador; fé sempre tem relação com obediência. Em Romanos 15.18, Paulo menciona que deseja conduzir os gentios à obediência em palavras e obras. Em Romanos 16.19 ele testemunha acerca dos romanos:“...a vossa obediência é conhecida por todos...”.
Na Segunda Carta aos Coríntios, Paulo fala acerca da obediência a Cristo: “levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Co 10.5). Está claro? Você não recebeu apenas um Salvador, um Redentor e um Libertador quando Jesus nasceu em Belém, mas também passou a ter um Rei a quem você pertence de corpo e alma. Isso está bem evidente e bem nítido diante de seus olhos? Você consegue admitir Jesus como o Rei da sua vida?

As reivindicações soberanas de um rei

Este será o direito do rei que houver de reinar sobre vós: ele tomará os vossos filhos e os empregará no serviço dos seus carros e como seus cavaleiros, para que corram adiante deles; e os porá uns por capitães de mil e capitães de cinqüenta; outros para lavrarem os seus campos e ceifarem as suas messes; e outros para fabricarem suas armas de guerra e o aparelhamento de seus carros. Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará o melhor das vossas lavouras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais e o dará aos seus servidores. As vossas sementeiras e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais e aos seus servidores. Também tomará os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores jovens, e os vossos jumentos e os empregará no seu trabalho. Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe sereis por servos” (1 Sm 8.11-17).
Essas palavras de Samuel foram ditas a Israel depois que esse povo expressou seu desejo de ter um rei. Eles queriam um rei terreno, um soberano normal que reinasse em Israel. Esses versículos descrevem os direitos do rei de impor seu domínio e fazer suas exigências ao povo. Por exemplo: “tomará vossos filhos... tomará as vossas filhas... tomará o melhor das vossas lavouras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais... tomará as vossas sementeiras e as vossas vinhas... tomará os vossos servos e as vossas servas, e os vossos melhores jovens, e os vossos jumentos... dizimará o vosso rebanho, e vós lhe sereis por servos”.Exigências duras e difíceis! Samuel havia alertado Israel seriamente: “Se vocês querem um rei, pensem bem. Não será fácil. Um rei terá o direito de exigir de vocês tudo o que quiser e tudo o que desejar. E vocês não poderão negar nada. Serão dele de corpo e alma!”.
Essas exigências ao povo eram o direito de um rei de Israel – ele tinha legitimidade para tomar, pedir e usar o que lhe aprazia. Isso, porém, não deve nos deixar com uma falsa sensação de despreocupação, como se não nos dissesse respeito. Não devemos pensar: “Ainda bem que as exigências de Jesus como Rei não são tão duras assim! Não preciso me preocupar com isso!”. Se pensamos dessa forma, estaremos no caminho do erro. Mesmo que Jesus não obrigue ninguém a segui-lO, Suas reivindicações são tão absolutas como aquelas dos reis de Israel. Isso significa que nós, quando tomamos posse de Sua obra de salvação, temos pairando sobre nossa vida Sua exigência: “Eu tomo...”. Ele, como Rei, toma para si o que quiser. E Ele quer nos possuir por completo. Ele quer todo o nosso coração, toda a nossa dedicação, todo o nosso amor, toda a nossa fidelidade. Ele exige fé absoluta, confiança plena e lealdade total. Ele quer o melhor do nosso tempo, Ele espera nosso fervor e nosso zelo, Ele espera uma consagração integral. Ele deseja empenho abnegado, trabalho diligente e, além de tudo isso, Ele quer ser o Senhor e dono dos nossos bens materiais. Ele é o Soberano!

Uma pergunta pessoal

Você quer dar tudo isso ao seu Rei? Você quer servi-lO dessa forma? Você entrega tudo a Ele de boa vontade, declarando-Lhe: “Reine e domine sobre mim! Sou todo seu, de corpo e alma!”? Talvez você esteja precisando de um profundo avivamento em seu relacionamento com seu Rei. O povo de Israel teve de ouvir o profeta Oséias dizendo por três vezes (porque tinham aniquilado as reivindicações do Senhor Deus, seu Rei): “semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a minha misericórdia; arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós” (Os 10.12). Isso está fazendo falta na sua vida? Você anela por chuva de justiça? Pela presença do Senhor?
Você percebeu uma falta de submissão ao seu Rei? Você notou que não pertence a Ele com todo o seu ser? Se a resposta é “sim”, então você precisa de um avivamento pessoal e de um profundo despertamento em seu coração. Na prática, o que é isso? Eclesiastes 3.3 diz que há um “tempo de derrubar e tempo de edificar”. Quando Deus concede um avivamento, quando Ele faz algo novo, a seqüência é esta: primeiro derrubar, depois edificar. Antes de qualquer renovação interior, muitas coisas precisam ser quebradas e derrubadas. Só depois da demolição pode ter início a reconstrução. E o que precisa ser derrubado? Aquilo que toma do Rei o Seu direito de propriedade! Acerca do rei Asa, que vivenciou um despertamento, lemos:“(Asa) aboliu os altares dos deuses estranhos e o culto nos altos, quebrou as colunas e cortou os postes-ídolos. Ordenou a Judá que buscasse ao Senhor, Deus de seus pais, e que observasse a lei e o mandamento. Também aboliu de todas as cidades de Judá o culto nos altos e os altares do incenso...” (2 Cr 14.2-5). Tudo de mau e pecaminoso que se acumulara no reino de Judá durante muitos anos foi derrubado por Asa. Tudo aquilo que fora trazido como entulho para dentro de seu reino ele mandou tirar, quebrar e destruir. Antes da faxina o avivamento era impossível.

Só orar não basta

Muitas vezes oramos por avivamento, mas não faz sentido orar e clamar se cada um de nós, pessoalmente, não estiver disposto a destruir e derrubar coisas erradas em sua vida. Antes que a cidade de Jericó fosse conquistada, Josué disse aos israelitas: “Tão-somente guardai-vos das coisas condenadas, para que, tendo-as vós condenado, não as tomeis; e assim torneis maldito o arraial de Israel e o confundais” (Js 6.18). Apesar da proibição, um homem chamado Acã tomou das coisas condenadas e as escondeu num buraco na sua tenda. A conseqüência foi aquela que Josué anunciara: grande desgraça se abateu sobre Israel. O povo todo foi derrotado diante da cidade de Ai. Então Josué lançou-se ao chão e começou a orar, talvez como nunca orara em toda a sua vida: “Então, Josué rasgou as suas vestes e se prostrou em terra sobre o rosto perante a arca do Senhor até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre a cabeça. Disse Josué: Ah! Senhor Deus, por que fizeste este povo passar o Jordão, para nos entregares nas mãos dos amorreus, para nos fazeres perecer? Tomara nos contentáramos com ficarmos dalém do Jordão. Ah! Senhor, que direi? Pois Israel virou as costas diante dos seus inimigos! Ouvindo isto os cananeus e todos os moradores da terra nos cercarão e desarraigarão o nosso nome da terra; e, então, que farás ao teu grande nome?” (Js 7.6-9). Uma oração tocante! E o Senhor respondeu a esse clamor:“Então, disse o Senhor a Josué: Levanta-te! Por que estás prostrado assim sobre o rosto? Israel pecou, e violaram a minha aliança, aquilo que eu lhes ordenara, pois tomaram das coisas condenadas, e furtaram, e dissimularam, e até debaixo da sua bagagem o puseram. Pelo que os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos; viraram as costas diante deles, porquanto Israel se fizera condenado; já não serei convosco, se não eliminares do vosso meio a coisa roubada” (Js 7.10-12).
Que palavras sérias! Que palavras claras! O Senhor disse: “Não adianta, Josué! Não resolve você orar assim. Não adianta prostrar-se diante da minha face. Pare com isso! Esteja pronto a fazer o que precisa ser feito. Ou você toma a atitude que precisa ser tomada, ou não estarei mais com vocês”. Israel não encontraria a paz nem teria mais vitórias se não estivesse disposto a derrubar a fortaleza do mal que levantara em seu meio. Nessas circunstâncias não faria sentido o povo orar noite e dia. O que era imprescindível, o que era absolutamente necessário, era uma atitude forte e firme diante do mal.
Isso nos lembra das palavras chocantes de Jeremias 15.1: “Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, meu coração não se inclinaria para este povo; lança-os de diante de mim; e saiam”. Ou Ezequiel 14.14, onde o Senhor diz: “Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, salvariam apenas a sua própria vida, diz o Senhor Deus”. Por que Deus usou de palavras tão duras? Porque Israel, naquele momento, queria receber coisas novas, mas não estava pronto a quebrar e destruir o que estava errado em seu meio.
O mesmo se dá com um avivamento pessoal, quando buscamos um novo despertar em nossa vida espiritual. Ele somente se tornará realidade quando cada um de nós estiver disposto a dar os passos que Deus ordena como pré-requisitos para um despertamento. As condições prévias precisam ser atendidas. O Novo Testamento nos conclama a isso. Por exemplo, Efésios 4.25 diz: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros”. Outro exemplo de derrubar e destruir:“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria” (Cl 3.5). Ou ainda: “Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma” (Tg 1.21).
Muitos dizem que um cristão não pode mais cometer pecados graves. Mas se fosse assim, por que a Escritura fala disso? Por que ela nos alerta a despojar-nos de toda impureza e acúmulo de maldade? Em Efésios 4.25 Paulo fala dos “membros”, portanto, ele está falando de cristãos renascidos. Fato é que cristãos renascidos podem cometer qualquer pecado a qualquer momento. E por ser assim, e porque o pecado continua não-confessado, Cristo deixou de ser Rei na vida de muitos deles. Jesus não pode fazer valer Suas reivindicações soberanas na vida desse crente. Portanto, uma das condições básicas para experimentar uma renovação radical é começar a derrubar, tirar e limpar!

A presença de Deus revela a sujeira

Deveríamos nos expor por completo à luz do Todo-Poderoso. E essa exposição poderá causar um grande susto. Ao nos colocar diante de Deus, talvez nos surpreendamos com comportamentos e atitudes que nos pareciam bem normais e, agora, à luz do Senhor, nos causam profunda vergonha. Percebemos coisas que vínhamos tolerando sem perceber, coisas que havíamos esquecido. A luz divina expõe e revela a sujeira.
Você já passou pela experiência de ficar pasmo quando, na presença de Deus, percebeu seus pecados, suas falhas e sua profunda perdição? Essa é uma típica experiência cristã. E feliz do Filho de Deus que passa por ela de tempos em tempos!
Pensemos em Davi, um homem segundo o coração de Deus, que lamenta miseravelmente no Salmo 38.3-4,18: “Não há parte sã na minha carne, por causa da tua indignação; não há saúde nos meus ossos, por causa do meu pecado. Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados excedem as minhas forças. Confesso a minha iniqüidade; suporto tristeza por causa do meu pecado”. Na Bíblia de Scofield, esse salmo recebe o título “Arrependimento pelo pecado“. Pense em Jeremias, que só conseguia clamar diante da cidade de Jerusalém completamente destruída: “O jugo das minhas transgressões está atado pela sua mão; elas estão entretecidas, subiram sobre o meu pescoço, e ele abateu a minha força...” (Lm 1.14).
Tanto Davi como Jeremias não falavam dos pecados dos outros – muito menos referiam-se aos pecados de ímpios pagãos. Falavam dos seus próprios pecados e lamentavam por si mesmos, por sua própria maldade. Felizes os cristãos que passam por isso de vez em quando! Bem-aventurado aquele que quase sucumbe debaixo do peso dos seus pecados quando se apercebe de todo o mal que mora dentro dele! Mas para tanto temos de nos expor sem reservas à luz do Todo-Poderoso. Só assim veremos e reconheceremos nossos erros. E só assim começaremos a derrubar e destruir. E então um legítimo avivamento poderá ter início na nossa vida. Então poderemos nos alegrar no nosso Salvador e Rei Jesus! (Marcel Malgo - chamada.com.br)
Por Marcel Malgo 

Uma Visão pré-cristã sobre o Inferno

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Platão (c. 427-347 a.C.) mantinha-se fiel à doutrina do castigo eterno:
Essas advertências foram feitas àqueles que foram culpados dos crimes mais terríveis e cujos delitos estão além da cura, e eles não são mais capazes de recebê-la e de se beneficiar dela, porque são incuráveis. Mas serão beneficiados aqueles que observarem o sofrimento que os culpados enfrentarão por toda a eternidade com as maiores e mais dolorosas e terríveis torturas por causa dos seus delitos, os quais são mantidos como exemplo na prisão do Hades, como um espetáculo e uma advertência a quaisquer malfeitores que, de tempos em tempos, são candidatos à mesma condenação (G, 525c, ênfase acrescentada).
Crença Judaica Intertestamentária sobre o Inferno
Na era entre o Antigo e o Novo Testamento10, fontes religiosas judaicas faziam referência ao inferno . O autor de 4 Macabeus disse:
Por causa do cruel assassinato que cometestes irás sofrer eternamente nas mãos da ustiça divina um adequado castigo pelo fogo […] Por tua impiedade e crueldade irás suportar tormentos até o fim […] [em um] destino eterno. A justiça divina te entrega a um fogo eterno e rápido, e aos tormentos que não te abandonarão por toda eternidade. Uma grande luta e um grande perigo para a alma aguardam em eterno tormento aqueles que transgridem os mandamentos de Deus (9.9; 10.11,15; 12.12; 13.15).
Palavras de Flávio Josefo sobre o Inferno
Semelhantes às afirmações feitas por Cristo12, o historiador judeu Josefo (c. 37-100), escreveu um “Discurso aos Gregos a Respeito do Hades”.
Hades é um lugar do mundo que não foi regularmente terminado; é uma região subterrânea onde a luz desse mundo não brilha; por causa dessas circunstâncias, pois nesse lugar a luz não brilha, não se pode lá estar a não ser em perpétua escuridão. Essa região foi destinada para dar custódia às almas, das quais os anjos foram nomeados guardiões, e a elas eles distribuem castigos temporários, apropriados às suas maneiras e ao seu comportamento.
Nessa região, existe um certo lugar separado, como se fosse um lago de fogo perpétuo, onde supomos que ninguém tenha sido lançado até agora, mas que está preparado para um dia pré-determinado por Deus no qual um j usto castigo será aplicado merecidamente a todos os homens […] [Eles receberão] esse castigo eterno por terem dado causa à corrupção, enquanto os justos irão receber um reino incorruptível e eterno. Eles estarão então confinados no Hades, mas não no mesmo lugar onde os injustos estarão confinados […] [Deus permite] um castigo eterno aos amantes de palavras iníquas. A eles pertence esse fogo perpétuo e sem fim, um certo bicho ardente que nunca morre e nem destrói o corpo, mas que continua a emergir desse corpo para que ele nunca cesse de lamentar

Fonte :www.cacp.org.br

 (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. vol 2. p, 753-768).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O Desenvolvimento do Cânon do Novo Testamento

  A história do cânon do Novo Testamento foi bem diferente do Velho Testamento. Não havia uma entidade ou organização que colecionassem os livros inspirados. Desde o começo a Igreja sempre foi uma comunidade internacional, então não havia como ter um único lugar de coleção destes livros considerados sagrados.
Os escritos sagrados eram copiados e colecionados nas diversas comunidades espalhadas. Por isso o processo para canonização dos escritos do Novo testamento levou alguns séculos. Uma vantagem foi que após haver o consenso sobre os livros realmente inspirados não houveram mais tentativas de inserir ou eliminar livros do cânon formado e aceito.
Os estímulos para que se colecionassem oficialmente os livros
Três fatores contribuíram para que se providenciasse o reconhecimento oficial dos livros do Novo Testamento: fator eclesiástico, fator teológico e o fator político.
O estímulo eclesiástico à lista dos canônicos
  • A necessidade de saber quais livros deveriam ser lidos em seus cultos, conforme a prática recomendada pelos apóstolos (1 Ts. 5:27).
  • A necessidade de saber quais livros deveriam ser traduzidos para as línguas estrangeiras dos convertidos.
  • A combinação destas forças exerceu pressão nos pais da igreja para que houvesse o reconhecimento dos livros inspirados.
O estímulo teológico à lista dos canônicos
Visto que toda escritura é útil para a doutrina (2 Tm. 3:16-17), tornou-se necessário definir os limites do que era a escritura, qual era o legado doutrinário dos apóstolos. Por causa da multiplicação dos livros heréticos (cânon de Marcião), foi de extrema urgência e importância definir quais livros seriam aplicados para o ensino da doutrina dos apóstolos.
O estímulo político à lista dos canônicos
As duas forças anteriores culminaram na pressão política sobre a Igreja para que se definissem os livros que eram realmente inspirados. Houve também a perseguição aos cristãos e a ordem para queimar quaisquer escritos dos mesmos. Então era necessário definir quais livros deveriam ser preservados e escondidos desta perseguição.
A compilação e o reconhecimento progressivo dos livros canônicos
Há fortes evidências de que os livros do Novo testamento foram colecionados e preservados, e sem dúvida alguma foram copiados e distribuídos pelas igrejas existentes na época.
Evidências neotestamentárias de um cânon crescente
O Novo testamento foi escrito na segunda metade do século I. A maior parte dos livros foi escrita para alguma igreja em particular (a maior parte das cartas de Paulo) e outras foram redigidas para pessoas em particular (Filemon, 2 e 3 João). Outros livros tinham o objetivo de atingir regiões inteiras: Ásia Oriental (1 Pedro), Ásia Ocidental (Apocalipse) e até mesmo Europa (Romanos). Algumas dessas cartas tiveram origem em várias regiões distintas: Jerusalém (Tiago); Roma, nos confins do Ocidente (1 Pedro). Desta forma é compreensível que a Igreja não tivesse todos os livros à sua disposição de imediato. Junte-se a isso a dificuldade com transporte e comunicação, e veremos que seria preciso algum tempo até que houvesse a coleção completa destes livros e a conseqüente canonização dos mesmos. Porém, apesar destas dificuldades a Igreja começou de imediato a coleção de todos estes escritos apostólicos.
A seleção dos livros fidedignos
Desde o início da era cristã houveram vários escritos falsos, ou não condizentes com os verdadeiros fatos sobre a vida de Cristo. Compreendemos isso lendo os primeiros versos do livro de Lucas (Lc. 1:1-4). Paulo advertiu os tessalonicenses sobre falsas cartas atribuídas a ele (2 Ts. 2:20). Paulo sempre assinava suas cartas de modo particular (2 Ts. 3:17).
O apóstolo João nos afirma que existiram muitas outras coisas que Jesus fez, que não estavam escritos nos evangelhos (Jo 20:30; Jo 21:25). Desta maneira começaram a surgir muitas crendices sobre a vida de Jesus. Enquanto as testemunhas oculares da morte e ressurreição de Jesus ainda estivessem vivas, tudo poderia passar pela autoridade oral dos apóstolos (1 Ts. 2:13; 1 Co. 11:2). Há quem acredite que estas tradições orais dos apóstolos originou o kerigma (proclamação) que funcionava como um cânon dentro do cânon. Quer o kerigma fosse o critério, ou não, fica claro que a igreja apostólica também tinha que ser seletiva e apurar os fatos sobre a vida e ensinos de Jesus. João, em seu evangelho, destrói uma heresia que se havia se tornado comum naquele tempo: que ele jamais morreria (Jo 21:23-24). Ele também escreveu outra advertência dizendo para não crer em qualquer espírito que diga ser vindo de Deus (1 Jo 4:1).
Diante disso concluímos que na igreja primitiva já havia um processo de seleção canônica em operação. Quaisquer palavras, fossem orais ou escritas, eram submetidas ao ensino apostólico. Se tal palavra não pudesse ser comprovada pelas testemunhas oculares(Lc. 1:2;At. 1:21-22), era rejeitada. Os apóstolos eram o tribunal pelo qual os ensinos eram testados e confrontados (1 Jo. 1:3; 2 Pe. 1:16). O próprio Deus deu testemunho aos apóstolos (Hb. 2:3-4).
A leitura de livros autorizados
Outra evidência do processo de canonização do Novo Testamento era a leitura pública das cartas que os apóstolos enviavam às igrejas. Paulo ordena aos tessalonicenses que sua carta seja lida a todos (1 Ts. 5:27). Paulo faz o mesmo com os colossenses (Cl. 4:16). Na realidade este era um costume antigo da comunidade judaica, a leitura das escrituras publicamente.
  • Moisés e Josué o praticaram (Ex. 24:7;Js. 8:34)
  • Josias pediu para que se lesse a Bíblia em seus dias (2 Rs. 23:2)
  • Esdras o reinstituiu (Ne. 8:8)
Isto indica que as cartas apostólicas tinham por objetivo serem lidas em várias comunidades, e não apenas no lugar para o qual eram destinadas. À medida que iam recebendo e lendo também colecionando estes escritos. Mais tarde este costume teria importância vital para a canonização do Novo Testamento.
A circulação e a compilação dos livros
No início da Igreja nenhuma comunidade cristã tinha a coleção completa dos escritos apostólicos, mas a coleção foi crescendo à medida que as igrejas iam recebendo as cartas e fazendo cópias autenticadas pela assinatura dos apóstolos ou seus emissários. Conforme foram crescendo as igrejas cristãs, novas cópias eram necessárias para que fossem lidas e estudadas nestas novas comunidades.
Conforme vemos em Colossenses já havia o costume da circulação das cartas.
O apóstolo João foi orientado a escrever seu ultimo livro, o Apocalipse, e envia-lo às sete igrejas pela Ásia Menor (Atual Turquia). Ou seja, teria de haver a circulação deste livro entre estas igrejas (Ap. 1:11).
Outros livros seguem o mesmo padrão. Tiago havia escrito às doze tribos da Dispersão (Tg 1:1). Pedro também escreveu a várias comunidades distintas (1 Pe. 1:1).
Todas essas cartas-circulares revelam o início do processo de canonização. As cartas eram obviamente primeiro endereçadas à Igreja para qual era destinada, mas depois essas igrejas deveriam fazer cópias e enviar a outras comunidades.
E não deveriam ser apenas lidas uma vez, mas Paulo orienta a leitura continuada destas cartas (1 Tm. 4:11-13).
Existe evidência no Novo Testamento desta coleção crescente dos escritos. Basta analisarmos o texto de 2 Pe. 3:15-16. Pedro possuía um conjunto dos escritos de Paulo, que colocava ao lado “das outras escrituras”. Ora, se as cartas foram endereçadas às igrejas específicas o que levou Pedro a ter uma cópia destas cartas de Paulo? Isto demonstra que realmente havia coleções dos escritos dos apóstolos sendo feitas.
Desta forma, notamos que desde o início da Igreja a formação do cânon do Novo Testamento estava em pleno andamento.
No final do século I, todos os escritos apostólicos já haviam sido recebidos pelas igrejas.
Porém, pelo fato da dificuldade de locomoção e comunicação, demorou-se alguns séculos até que todos estes escritos fossem reunidos e formalmente agrupados num único livro. Além da seleção dos falsos escritos que também circulavam entre a comunidade neo testamentária, o que levou a um acréscimo do tempo necessário para o reconhecimento dos escritos inspirados.
A confirmação da compilação oficial dos livros canônicos
O testemunho dos pais da Igreja sobre o cânon
Logo após a primeira geração de cristãos, todos os livros do Novo Testamento já haviam sido citados nas obras dos primeiros pais da Igreja. Esta geração havia convivido com os apóstolos diretamente. Devemos ter o cuidado de não achar que, por um determinado pai da Igreja não ter citado algum livro do Novo Testamento, este não seja dotado de autoridade divina, afinal isto não é um pré-requisito de sua canonicidade. Basta fazer um exercício consigo mesmo: qual foi a última vez que você mencionou o livro de Filemom? O mesmo princípio se aplica aos pais da Igreja. O importante a ser destacado é que todos os livros do Novo Testamento, já no segundo século, havia sido citado por todos os pais da Igreja na época.
O testemunho das listas primitivas e das traduções do cânon
Outras confirmações sobre o cânon do Novo Testamento estão claras em algumas traduções mais antigas e listas canônicas entre os séculos II e IV. Não poderia haver uma lista, ou uma tradução, sem antes reconhecer-se serem estes livros dotados de autoridade divina.
Antiga tradução Siríaca (Síria) – Uma antiga tradução circulou na Síria no fim do século IV. Continha todos os livros do Novo Testamento exceto: 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Isto é explicado pelo fato dos livros omitidos serem dirigidos a igrejas no Ocidente, a igreja siríaca ficava no Oriente. A distância e falta de comunicação atrasaram o processo de reconhecimentos destes livros por parte da Igreja Oriental. Esta versão da Bíblia foi editada antes desta confirmação ser aceita por todos.
Antiga Latina – O Novo Testamento já havia sido traduzido para o latim antes do ano 200. Continha todos os livros do Novo Testamento exceto: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro. A omissão a estes livros são o oposto da tradução siríaca. Estas cartas haviam sido escritas a princípio para as igrejas orientais, então devido aos mesmos problemas relatados anteriormente, demorou até que as igrejas no Ocidente tivessem o reconhecimento destes livros.
Cânon Muratório (170 d.C.) – Além do cânon herético de Marcião, a lista canônica mais antiga se encontra no fragmento muratório. É idêntico à Antiga Latina, excluindo-se Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro. Porém os estudiosos acreditam que houve uma falha nos manuscritos, pois Hebreus e 1 Pedro estavam ausentes, ao passo que livros menos frequentes como Filemom e 3 João estavam incluídos.
Códice barocócio (206 d.C.) – Outro testemunho do cânon primitivo vem de um códice intitulado “Os sessenta livros”. Esta obra continha 64 dos 66 livros da Bíblia atual, exceto Ester no Velho Testamento e Apocalipse no Novo Testamento. A canonicidade de Apocalipse está bem atestada em outras obras, entre elas o Códice Muratório. Teve também o apoio de Justino Mártir, Ireneu, Clemente de Alexandria e Tertuliano.
Eusébio de Cesaréia (c. 340 d.C.) – A situação do Novo Testamento no século IV já estava bem definida. Em sua obra “História Eclesiástica” ele mencionou como totalmente aceitáveis os livros do Novo Testamento, exceto: Tiago, Judas, 2 Pedro e 2 e 3 João, pois este livros eram questionados por alguns ainda. Havia também o Apocalipse que ele próprio rejeitava. Desta forma, todos os livros do Novo Testamento, exceto Apocalipse tinham o reconhecimento da autoridade divina.
Atanásio de Alexandria (c. 373) – Nos cinqüenta anos seguintes a Eusébio, Atanásio relaciona todos os 27 livros do Novo Testamento como canônicos. Mais tarde, na geração seguinte, tanto Jerônimo quanto Agostinho teriam confirmado a mesma lista de livros canônicos, de modo que os mesmos permaneceram no cânon do Novo Testamento (Da Doutrina Cristã).
Concílios de Hipo (393) e Cartago (397) – Os testemunhos de apoio não se limitaram apenas a indivíduos. Estes dois concílios também reforçaram o apoio ao reconhecimento da autoridade divina aos 27 livros do Novo Testamento.
Então, desde o século V a Igreja tem aceito esses 27 livros como canônicos.

O Desenvolvimento do Cânon do Antigo Testamento


A História da canonização da Bíblia é muito fascinante. A medida que Deus ia revelando sua palavra e o Espírito Santo movendo seus profetas, nenhum deles tinha em mente como seu ''capítulo'' iria se encaixar no plano global do Senhor. E cada um destes capítulos nos mostra o grande amor de Deus pela humanidade e o plano maravilhoso de redenção, que só poderia vir de Deus que fez e sustenta todo o universo.

Os três passos mais importantes no processo de canonização

Há três elementos básicos no processo de canonização: a inspiração de Deus, o reconhecimento pelo povo de Deus e a coleção de livros inspirados. A inspiração cabia ao próprio Deus, mas os dois passos seguintes, Deus os incumbiria ao seu povo.

Inspiração de Deus - Deus deu o primeiro passo na canonização da Bíblia, quando ele mesmo os inspirou. O povo de Deus não teria como reconhecer a inspiração de um livro, se Deus mesmo não tivesse dotado os 39 livros que compõem o Velho Testamento, de autoridade divina.

Reconhecimento por parte do povo de Deus - Quando Deus dotava algum livro de autoridade, seu povo o reconhecia. Este reconhecimento ocorria imediatamente pela comunidade para qual o livro foi destinado. Os escritos de Moisés foram reconhecidos em seus dias (Ex 24:3), como também de Josué (Js 24:26), os de Samuel (I Sm 10:25) e os de Jeremias (Dn 9:2). Este reconhecimento seria confirmado pelos crentes do Novo Testamento e também por Jesus

Coleção e Preservação pelo povo de Deus - O povo de Deus colecionava e guardava sua Palavra. Os escritos de Moisés foram colocados na arca (Dt 31:26). As palavras de Samuel foram colocadas num livro e o pôs perante o Senhor (I Samuel 10:25). A lei de Moisés foi preservada no templo nos dias de Josias (II Rs 23:24). Daniel tinha uma coleção da lei de Moisés e dos profetas (Dn 9:2; 6:13). Os crentes do Novo Testamento tinham toda escritura do Velho Testamento (II Tm 3:16), tanto a lei como os profetas (Mt 7:17)

A diferença entre os livros canônicos e outros escritos religiosos

Apesar da importância que alguns livros tinham, assim como: Livro dos justos (Js 10:13)e o Livro das Guerras do Senhor (Nm 21:14), nem todos os escritos eram considerados canônicos.

Os livros apócrifos, escritos após o período do Velho Testamento (c. 400 a.C), tinham seu valor religioso definido, porém jamais foram delimitadores da fé, doutrina e conduta cristãs, diferentemente dos escritos inspirados e dotados da autoridade divina, pois têm autoridade sobre os crentes.

Nenhum artigo de fé deve basear-se num livro não-canônico, não importando o valor religioso do mesmo.

A verdade transmitida pelo livros inspirados é que constitui o fundamento das verdades da fé.

A diferença entre canonização e categoria dos livros da Bíblia

Tem havido muita confusão quanto à data dos escritos sagrados e sua canonização. A quem defenda que a canonização foi modular. Ou seja, seguindo as datas das seções do Velho Testamento.

* Lei (c. 400 a.C)

* Profetas (c. 200 a.C)

* Escritos (c. 100 a.C)

Porém algumas seções, assim como os Escritos foram reagrupados diversas vezes desde que foram redigidos e foram aceitos antes mesmo dessas datas e reagrupamentos, como veremos em breve

A evidência da coleção progressiva dos livros proféticos

Desde o início, os escritos proféticos eram reunidos e guardados, tidos como inspirados e autorizados por Deus

* As leis de Moisés foram preservadas ao lado da arca da aliança (Dt 31:24-26) e posteriormente no templo (II Rs 22:8)

* Josué acrescentou suas palavras no livro da lei de Deus (Js 24:26)

* Samuel informou o povo sobre os deveres do rei e escreveu em um livro e o pôs diante do Senhor  ( I Sm 10:25)

* Ezequiel nos informa que havia um registro oficial de profetas e seus escritos no templo (Ez 13:9)

* Daniel refere-se aos livros que continham a ''Lei de Moisés'' e os ''Profetas'' (9:2,6,11)

Esta evidência de coleção progressiva dos escritos dos profetas se confirma pelo uso dos escritos dos profetas antigos feitos pelos profetas que viriam mais tarde

* Os livros de Moisés são citados por todo Velho Testamento Desde Josué (1:7) até Malaquias 94:4)

* Os livros de Reis citam a vida de Davi conforme narrada nos livros de Samuel

* Crônicas faz uma revisão da história de Israel desde Gênesis até Reis, incluindo o elo genealógico mencionado apenas em Rute (I Cr 2:12-13)

* Neemias 9 resume a história de Israel conforme registro de Gênesis a Esdras

* Há referências aos Provérbios de Salomão e ao Cântico dos cânticos em I Rs 4:32

* O profeta Jonas recita partes de muitos Salmos (Jn 2)

* Ezequiel menciona Jó e Daniel (Ez 14:14-20)

Nem todos os livros são citados em livros posteriores, porém há evidências suficientes para provarmos que existia uma coleção progressiva dos escritos considerados divinos e dotados de autoridade e inspiração.

A evidência da continuidade profética

Durante a coleção dos escritos proféticos, houve uma continuidade dos eventos e profecias narradas pelos seus autores. Os cinco primeiros livros da Bíblia foram escritos por Moisés. O próximo livro é o de Josué, porém vemos que o capítulo final de Deuteronômio narra a morte de Moisés. Por não ser um escrito profético, mas sim a narração de um fato da época, entendemos que não pode ter sido Moisés quem escreveu o final do livro de Deuteronômio. Provavelmente teria sido Josué, já que foi o sucessor de Moisés. E em seu livro o primeiro capítulo continua os eventos imediatos acontecidos após a morte de Moisés.(Js. 1:1).
Juízes retoma a narrativa de onde parou o livro de Josué. Porém este registro só se completou nos dias de Samuel, como podemos observar pela frase “Naqueles dias não havia rei em Israel” (Jz. 17:6;18:1;19:1;21:25). Depois disso a continuidade profética se estabeleceu com a criação de uma escola de profetas dirigida por Samuel(1 Sm. 19:20). Desta escola sairiam vários livros que cobririam a história do povo de Israel e Judá no período dos reis e profetas. Vejamos:
  • A história de Davi foi escrita por Samuel (1 Sm.), por Natã e por Gade (1 Cr. 29:29)
  • A história de Salomão foi escrita por Natã, Aías e Ido (2 Cr. 9:29)
  • Os atos de Roboão foram escritos por Semaías e Ido ( II Cr 12:15)
  • A história de Abias foi acrescentada pelo profeta Ido (2 Cr. 13:22)
  • A história do reinado de Josafá  foi registrada pelo profeta Jeú (2 Cr. 20:34)
  • A história do reinado de Ezequias foi registrada por Isaías (2 Cr. 32:32)
  • A história do reinando de Manassés foi registrada por profetas anônimos (2 Cr. 33:19)
  • Os demais reis também tiveram suas histórias registradas pelos profetas (2 Cr. 35:27)
Podemos perceber que os livros de Samuel, Reis e Crônicas não são idênticos aos livros mencionados acima. Nos parece que os livros do cânon do Velho Testamento são pequenos textos tirados de narrativas mais longas, como demonstra a frase “e os demais atos” do rei tal estão escritos no livro tal do profeta tal, isso demonstra claramente a sucessão profética iniciada por Samuel.
Notem que não houve menção a Jeremias, mesmo escrevendo antes e durante o exílio, ter escrito uma dessas histórias. Porém, Jeremias era um profeta, historiador e escritor, como claramente afirma em várias ocasiões: Jr. 30:2 – Jr. 36:1-2 – Jr. 45:1-2 – Jr. 51:60-63.
Podemos verificar que o último capítulo de 2 Reis corresponde aos capítulos 52, 39, 40 e 41.
Estes são indícios de que ele era responsável por ambos os livros. Mais tarde, no exílio, disse ter acesso aos livros de Moisés e dos profetas. Menciona não só Jeremias, mas também cita a predição do cativeiro no capítulo 25 (Dn. 9:2,6,11). Com base nisso é razoável supor que os resumos dos escritos proféticos tenha tomado a forma dos livros dos Reis. Desta forma, a continuidade profética a partir de Moisés, Josué e Samuel se completaria com as obras de Jeremias.
Durante o exílio, Daniel e Ezequiel continuaram o ministério profético. Ezequiel reconheceu um registro oficial de profetas nos arquivos do templo(Ez. 13:9). Ezequiel se referiu a Daniel como um “notável servo de Deus”(Ez. 14:14-20). Visto que Daniel possuía cópia dos livros de Moisés e dos profetas, dos quais o livro de Jeremias, podemos presumir razoavelmente que a comunidade judaica no exílio babilônico possuía os livros de Gênesis a Daniel.
Depois do exílio, Esdras volto da Babilônia levando consigo os livros de Moisés e dos profetas(Ed. 6:18 – Ne. 9:14,26-30). Nos livros de Crônicas sem dúvida ele registrou seu relato sacerdotal da história de Judá e do templo (Ne. 12:23). Crônicas está ligado a Esdras-Neemias pela repetição do último versículo de um, como o primeiro versículo do outro.
Com Neemias completa-se a cronologia profética. Cada profeta, desde Moisés até Neemias contribuiu para a crescente coleção de livros, que foi preservada pela comunidade dos profetas a partir de Samuel.
Até agora não existem evidências de que outros livros, houvessem alcançado canonização depois dessa época (c. 400 a.C.)
A evidência de que o cânon do Velho Testamento se concluiu com os profetas
Vimos que toda Escritura hebraica havia sido colecionada ao longo dos anos pelos profetas que Deus havia levantado.
Vimos também que houve continuidade nestes escritos. Cada novo profeta se apoiava na autoridade dos escritos do profeta anterior e juntava seus escritos aos escritos anteriores.
Na época de Neemias (c. 400 a.C.), os profetas já haviam produzido todo cânon hebraico, ou seja, os 24 livros que compõem a Bíblia hebraica.
O Novo Testamento cita praticamente todos os livros do cânon hebraico sem fazer menção a nenhum livro posterior a Malaquias.
Jesus parece colocar parâmetros no cânon do Velho Testamento, quando em Mt. 23:35 faz menção ao sangue de Abel, citando o livro de Gênesis, e mencionando o sangue de Zacarias(filho do sacerdote Joiada), citando o livro de 2 Crônicas (24:20-22), último livro do cânon hebraico.